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    18-05-2020

    Saiu na mídia

    Presidente do Cremesp debate a adoção de políticas públicas no combate à covid-19

    Os principais desafios arraigados à área da Saúde, decorrentes da carência de medidas públicas eficientes, no âmbito da atual pandemia, foram debatidos no artigo “Políticas de saúde na covid-19: do diagnóstico falho à intervenção inócua”, redigido pela presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Irene Abramovich, e publicado na versão online e impressa dos veículos “O Estado de S. Paulo” (Estadão) e “A Tribuna de Santos”, respectivamente, em 15 de maio.

    A incipiência de projetos, programas e planos, além da falta de clareza em relação à definição de metas e objetivos, que resultam em iniciativas questionáveis e pouco efetivas por parte da administração pública, são alguns dos motivos responsáveis pela precarização das estruturas sanitárias, que refletem diretamente na atual pandemia — momento em que o Brasil mais clama por uma Saúde de qualidade, como aponta Irene.

    As soluções sugeridas por agentes públicos e formadores de opinião ainda consistem em medidas vagas, mais baseadas na retórica do que em planos concretos de ação, uma vez que o problema central do combate ao novo vírus parece girar em torno de uma única e simplista questão: a “ausência de médicos”.

    Dentre as propostas instituídas, pode-se citar a antecipação da colação de grau de alunos de Medicina, a viabilização da atuação de médicos do exterior sem a devida revalidação de diploma, a readmissão de profissionais de saúde cubanos exilados, entre outras. “Os proponentes de tais iniciativas esquecem que se falta médico, falta também infraestrutura de atendimento, ventiladores mecânicos, leitos de UTI, fluxos assistenciais organizados e, até mesmo, testes, aspecto em que o País vem ocupando uma das últimas posições no mundo”, destaca Abramovich.

    A presidente do Conselho lembra que, assim como na Medicina, em políticas de saúde, para propor um tratamento para uma doença, é preciso, antes de mais nada, ter um diagnóstico, que, no caso da covid-19, em virtude de suas características, consiste na grande demanda por leitos de UTI — e é justamente isso que leva qualquer sistema sanitário ao colapso.

    Tendo isto em vista, antecipar a colação de grau seria uma solução adequada para o problema que se dá no ambiente das UTIs? É correto assumir que um aluno de Medicina, que mal concluiu sua formação, está apto a exercer adequadamente uma atividade tão complexa? Irene explica que não. “A realidade que ninguém quer ver é que faltam profissionais especializados em cuidados intensivos. Dados do Cremesp mostram que há apenas 903 intensivistas registrados, em todo Estado. Isso se dá, entre outros motivos, por políticas públicas equivocadas do passado, que levaram à desvalorização da residência médica no País”.

    Abramovich reitera que é necessário cessar as alternativas simplistas, que apenas jogam uma cortina de fumaça sob o problema real, e adotar práticas similares às ensinadas pela boa Medicina, que consistem na adoção de uma anamnese cuidadosa e detalhada, responsável por, posteriormente, identificar o diagnóstico preciso e o tratamento correto. “Se aplicarmos esses princípios à formulação, implantação e avaliação de planos, programas e projetos em Saúde no País, para o combate à covid-19, talvez nos libertemos das discussões demagógicas e consigamos, enfim, enfrentar esse desafio enorme”, finaliza.

    Veja o artigo na íntegra.
     


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